Há muito que me apetecia fazer um post branco, apenas aguardava que me desse vontade de o fazer com um conteúdo que, na verdade e neste preciso momento, continuo ainda cheio de duvidas se é ou não para aqui chamado.
Que se lixe, o tal conteúdo do post branco não é cocaína nem a neve ou as amendoeiras em flor, trata-se daquilo de que eu gosto e não gosto, o ideal para um post branco, portanto aqui vai.
Gosto de gostar, ui se gosto.
Gosto de sentir coisas, gosto muito dos sentidos, de todos eles e não os consigo hierarquizar sem ser num determinado enquadramento.
Gosto da natureza, fascina-me e apenas lamento o muito pouco ou nenhum tempo que dedico ao seu estudo e compreensão, mas usufruo e delicio-me sempre com quem sabe algo do assunto.
Gosto das pessoas, dos seres humanos, com reservas claro, mas generalizando posso afirmar tranquilamente que gosto das pessoas, o que me leva a supor, agora já nada tranquilo, que daí resulta que gosto do mundo que os humanos têm vindo a criar.
Gosto de saber, ou julgar saber, que há um destino que não domino mas que não deixo de influenciar, encaro-o com uma espiritualidade muito à minha maneira, longe de dogmas que cada vez tenho mais dificuldade em compreender e aceitar.
Gosto da família ponto final parágrafo, esse microcosmos tão à nossa escala, à nossa dimensão.
Gosto da amizade, da camaradagem, da colaboração, da sintonia e do espírito de grupo de uma equipa, não só gosto como dou muita importância ao ponto de me disponibilizar para cedências sempre que estou lúcido, sempre que estou mais comigo do que com outra coisa qualquer.
Gosto tanto da certeza como da dúvida, não conseguia equilibrar-me senão convivesse em permanência com ambas.
Gosto do equilíbrio já que falei nele, e da harmonia para onde o equilíbrio me remete, fico deslumbrado com a sua elegante fragilidade, com a sua razão e absurda simplicidade.
Gosto de peixe, legumes e fruta. Gosto de vinho, de água, de champanhe e de rum. Gosto de chocolate, de tudo mas mesmo tudo o que meta chocolate, e gosto de chantilly e de gelado de natas a acompanhar bolos secos e compotas. Gosto de enchidos e das carnes as que mais aprecio são o cabrito e a perdiz. Gosto de sopa e de pão, de torradas com manteiga, de tostas mistas. Gosto de chá. Sou mais de salgados do que de doces e o que gostaria mesmo muito era de ser um mágico a cozinhar. O meu tipo de cozinha preferida é a mediterrânica e a hindu e só depois vêm a francesa e a japonesa.
Gosto de fazer a minha higiene logo ao acordar, aliás o que me acorda mesmo é o barbear embora descanse a pele pelo menos uma vez por semana. Gosto do duche morno e de escovar os dentes enquanto estou no duche. Gosto de produtos de qualidade e inodoros que compro em farmácias e não nas perfumarias, quando me apetece uso uma colónia que não seja doce e peganhenta, a Kenzo Air ou mais esporadicamente a Armani Acqua di Gio acompanham-me há anos. Gosto de ter o cabelo curto e penteado apenas com os dedos, gosto de um bom creme hidratante, gosto da minha enorme, clara, minimalista e cheia de luz casa de banho.
Gosto de roupa informal e raramente uso gravata embora no dia-a-dia de trabalho ande sempre de blazer ou fato, gosto de sapatos de atacadores clássicos, sobretudo dos castanhos. Gosto de usar boxers, brancos aos dias de semana e azul claro aos fins-de-semana e nas férias. Gosto do algodão e da caxemira, mas cada vez aprecio mais os novos tecidos sintéticos de qualidade. Gosto de cabedal, em blazers, casacos, cintos ou carteiras, gosto tanto mais quanto mais usado, como as jeans que não dispenso. Gosto das minhas fardas de marinheiro ao fim-de-semana, ténis que escoam a água e não derrapam nem deixam marcas, calças claras e de secagem rápida e pólos ou t-shirts com um corta-vento que me aconchegue e disfarce um pouco a barriga já proeminente de mais para meu gosto.
Gosto do meu trabalho e tenho a clara noção do valor que isso tem. Gosto de sentir que tenho de facto vocação para o que faço em termos profissionais. Gosto do preenchimento e do sentido que o meu trabalho traz à minha vida, gosto particularmente de não ver no meu trabalho apenas uma forma de ganhar dinheiro, contudo, cada vez vou aprendendo mais e mais a não viver apenas para o trabalho e a carreira, procuro dedicar mais tempo ao ócio.
Gosto da zona onde moro e trabalho, onde vivo, estou a ela profundamente ligado e ser-me-ia muito difícil mudar, aliás, por opção própria não mudaria nunca, mas estou consciente das vicissitudes da vida e como tal não dou nada como garantido, tenho até experiências muito próximas de mudanças muito conseguidas apesar de sofridas. Respeito tanto o meu habitat como sou exigente com quem o gere e comigo o coabita, de todos os locais do mundo que visitei, dos mais paradisíacos às urbes mais cosmopolitas, não trocaria nenhum deles pelo lugar onde vivo. Sei, ou penso saber, o valor que isso tem.
Gosto dos meus objectos de sempre, das minhas canetas de tinta permanente azul e das minhas lapiseiras de minas muito moles, da minha colecção de relógios dos quais apenas uso dois que me foram oferecidos pela minha mulher, ambos umas máquinas fantásticas e uns adornos belíssimos. Gosto de lanternas que aliás também colecciono, de réguas e de tudo o que é instrumento de medição, gosto de velas e também gosto de mochilas que uso como malas de trabalho. Gosto do meu sofá em alcantara castanho claro, da minha cama e do cheiro e tacto dos lençóis lavados. Gosto do meu colar que não sei quando mo puseram, sei que faz parte de mim.
Gosto de velejar, é mais do que o meu desporto e não é fácil de explicar esta minha paixão pela vela e pelo mar, pela sintonia com a natureza, talvez a melhor forma de o fazer seja revelar que a minha mãe me diz que desenho barcos à vela desde que ela me pôs um lápis na mão. Gosto do meu veleiro que é um sonho tornado realidade, dos fins-de-semana com as vagas e o vento ao largo de Cascais, do cheiro e do cansaço que trago do mar. Gosto da minha tripulação e do que juntos evoluímos e usufruímos, sobretudo porque a minha tripulação regular se resume apenas à minha mulher e eu.
Gosto de musica e de cinema e não sou esquisito quanto aos géneros, papo quase tudo. Gosto de pintura e de fotografia ao ponto de já ter viajado propositadamente para as contemplar. Gosto de boa escrita, tanto como gosto de uma boa voz, chego a invejar quem escreve e canta bem e, não raras vezes, dou por mim a apreciar o dom independentemente de gostar ou não do conteúdo. Gosto de história e de geografia, gosto da língua italiana e do português falado no Brasil. Gosto de praia e de montanha, gosto do nascer do sol, aliás do sol gosto de tudo. Gosto de conhecer outros sítios, gosto de viajar mas dispensava a viajem em si, sobretudo se for de avião.
Gosto de sexo, obviamente, mas gosto mesmo é de foder quando amo e sou amado. Gosto de ser ‘straight’, de gostar do sexo oposto. Gosto de mulheres porque gosto do feminino e gosto de o mostrar o que não significa que seja mulherengo. Gosto de mulheres morenas e que saibam assumir e conviver bem com a feminilidade, que sejam inteligentes e provocadoras, sem demasiada maquilhagem e com adornos quanto baste e certeiros. Gosto de apreciar o físico de uma mulher, as mãos a cintura e o porte, gosto de seios pequenos e firmes e de pernas compridas, esguias mas torneadas. Gosto de sedução, gosto do cheiro a sexo. Gosto de preliminares e gosto de descobrir e de arriscar, gosto da minha posição preferida que já o é há muito tempo, gosto que dure mas não em demasia. Gosto da conversa, do abraço e do sono depois do sexo, mais do que do cigarro.
Gosto de sonhar e de imaginar, de brincar e de pretender o que é diferente de apenas fingir. Gosto da frontalidade e da honestidade, da coragem e da inteligência. Gosto da compaixão, da simplicidade e do espírito de aventura. Gosto da paixão mas também gosto da razão e da temperança, gosto da diversidade e gosto que me contra-argumentem. Gosto de ser ouvido quando tenho razão, gosto da cumplicidade e da fidelidade, gosto da harmonia. Gosto de organização e planeamento, gosto da antecipação mas também gosto muito da surpresa, de bem surpreender e ser surpreendido. Gosto de uma boa conversa e de uma história bem esgalhada, gosto de pretextos e sou definitivamente pela virtude e pelo carácter.
Gosto da idade que tenho, quer física quer mental, pese embora a fraqueza e cansaço que o meu cabelo começa a revelar. Gosto de me sentir mais vezes contente comigo próprio do que descontente. Gosto do meu passado embora tenha a clara noção do muito em que me enganei ou não estive bem, do que nele mudaria. Gosto do meu presente e estou nele firmemente apostado, apesar das dúvidas e das fases menos conseguidas.
Gosto de ter feito mais esta reflexão sobre aquilo de que gosto, dei-me conta do muito que ficou por escancarar nesta pequena lista e nunca pensei que me fosse tão difícil resumir e sintetizar algumas das coisas de que gosto. Gosto de confirmar a mim próprio de que há muito de que gosto, e gosto de saber que, por isso mesmo, ainda me falta descobrir muita coisa de que vou com certeza gostar.
Quanto às coisas de que não gosto, bom… Ou antes, não vale mesmo a pena perder tempo com isso. É que de facto tento que as coisas de que não gosto me perturbem o menos possível, prefiro concentrar-me naquilo de que gosto. Diria apenas, como se tal fosse necessário, que há de facto muito de que não gosto, mas detestaria constatar que a lista do que não gosto seria eventualmente superior à lista do que gosto.
Mas ainda não acabou o post branco, falta falar das coisas que não sei se gosto ou não, e destas, apenas uma me merece referência por agora. É que não sei se gosto ou não do ódio, nunca o experimentei. E não tenho vontade nenhuma de o experimentar, ao ódio como a tantas outras coisas que para aí andam, algumas das quais me seriam até tão fáceis de experimentar.
Depois disto não me compete a mim julgar-me, só não quero é acabar este post branco sem aqui formalizar, solenemente, que há hora em que escrevi isto tudo, mas mesmo tudinho, não fugi à verdade verdadinha. Amanhã não sei não, mas provavelmente a verdade do que gosto ou não já será outra. Mas não tem importância, porque afinal de contas, esta é das tais conversas que não interessam mesmo a ninguém.
Não é por acaso que este é um post branco.
I Momma's Groove (Jimpster's Hip Replacement Mix) I Osunlade I
13 comentários:
...
bravo!
que bravo
merecida vénia
beijos, J.
Só volto cá quando os ditos cujos forem encontrados.
Post lindo este, viu. Não vi nada mas achei ideia soberba! Vou fazer um igual.
Xii, o menino não é nada mas mesmo nada esquisito!
Tenho a informar que li tudo!
Não é por acaso que este post é um post branco.
Revela (muito)
:)
A... no fundo, acho que o que andamos sempre por aqui a fazer nos blogues é dizer aquilo de que gostamos ou não. Mas assim tão escarrapachado também é engraçado e vale pela reflexão.
Hoje vim aqui para ver se havia novos comentários e reli tudo, pois não evoluí nada, ainda gosto das mesmas coisas lollll
Red... espero então que encontres os ditos cujos, e muito rápido. Mas acho que as alvíssaras prometidas não estão à altura, porque não um perna de pau ou um super maxi?
Rosana... Volte, volte, fico ansioso! E eu ansioso sou caso sério.
Olhe só mais uma coisinha se não viu bem não veja, sim? É que depois de ver melhor não lhe vai achar graça nenhuma e faço questão de ter uma Rosana de volta!
e já me linkou?
Ruiva... até que enfim que alguém me julga, esquisito o tanas, sou mas é straightinho que nem um carapau. Ora vá lá ler tudo novamente mas desta vez ponha os óculos.
Ás de copas... conseguiste ler todo este branco que nada mais é do que muita parra pouca uva tipo conversa fiada, falta aqui a magia de quem, como tu, sabe manejar as palavras. Disfarço isso com uma encenação com truques do html, essa é que é a verdade pois se assim não fosse, as palavras não precisariam de nenhuma encenação, valeriam por si.
Obrigado pelos comentários
Está bem, abelha! Já pus éculos e com lentes de aumento e continuo a ver um gajo cheio de manias!
Não é por acaso que este post é em branco! Red, é o que está a dar! Qual branco, qual azul.
Faça o favor de fazer próximo post com muita cor, sim? A condizer com o meu cabelo. Agradecida.
nada esquisito, pelo contrário, muito muito familiar
...de qualquer maneira, ainda bem que continuas a gostar das mesmas coisas... bom gosto e cheiras bem. é isso!
beijos beijos
"Gosto tanto da certeza como da dúvida, não conseguia equilibrar-me senão convivesse em permanência com ambas."
Fiquei impressionada com todo o texto mas esta afirmação matou-me!
Isto é tudo mesmo assim? Andei por aí a ver o que se escrevia pela blogosfera e não me pareceu muito comum tanta sinceridade!
:)
fizeste um belo exercício!
sobre gostar de gostar,
eu gostava era ter tanto gosto como tu! ou melhor, ter essa noção do que gosto.
depois de ler este post, tentei um exercício semelhante, mas apenas mental, e é-me de facto difícil... fiquei com a certeza que há mais coisas que não gosto, que aquelas que gosto.
mas gostar também passa por aquilo a que damos importância, e aí é como tu dizes: "ainda me falta descobrir muita coisa de que vou com certeza gostar." – vamos dando importância a coisas diferentes ao longo da vida - vamos gostando de formas diferentes. quase podemos dizer que vamos sendo diferentes pessoas... só me resta esperar que me torne uma pessoa com mais gosto! rs rs rs rs...
(G word under white)
saudades
grande BI :DD essa vontade frenética de se dar a conhecer e seduzir envolto em mistério e beleza (reconhecidamente belo) quer dizer auto-voyeur de blog, em português, "sejam curiosos de mim"?
ahahah! q mázinha!
ao contrário das GRINGAS eu até gosto de GRINGAS
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